Poucos núcleos e associações
responderam à consulta
A Diretoria da ABCCMM
enviou, em 9 de agosto, questionário para 45 núcleos e associações,
consultando-os sobre quatro temas sugeridos por eles mesmos em reunião durante
a XXV Nacional: 1. Ordenação do calendário de exposições; 2. Questão dos
árbitros; 3. Custos das exposições; 4. Apoios financeiro e técnico aos núcleos.
Na correspondência, foi solicitado que eles não só apontassem os principais
entraves de cada setor, mas que propusessem soluções, outra decisão consensual
entre os participantes da reunião do dia 21 de julho.
Dos 45 questionários enviados, apenas nove
presidentes dessas entidades responderam à consulta, cujo prazo expirou-se em
30 de setembro. Manifestaram-se: Aderbal Jurema Junior, presidente da
Associação de Brasília; José Araújo Ferreira, presidente do Núcleo do Centro
Leste Mineiro; Silvio Júlio Junqueira Pereira, presidente do Clube do Cavalo de
Cruzília; Luiz Armando de Oliveira Júnior, presidente do Núcleo do Centro Oeste
Mineiro; Epiphânio Zamprogno Neto, presidente da Associação do Espírito Santo;
Magdi Abdel R. Gabr Shaat, presidente do Núcleo do Sul de Minas; Marcellino
Tostes Picanço, presidente do Núcleo Serrano; Jairo Rodrigues Fajardo,
presidente do Clube do Cavalo de Leopoldina e Cercanias e Antônio Sérgio de
Quadros Barbosa, presidente do Núcleo Marchador da Alta Mogiana.
Diante do número pouco
significativo de questionários recebidos, 20%, que não refletem a opinião da
maioria, e não podem, portanto, servir de parâmetro para a adoção de medidas
sobre temas tão relevantes para a raça, a Diretoria optou por aguardar a
manifestação dos outros 39 presidentes de núcleos e associações.
Ordenação do calendário
Na resposta enviada à
Associação, o presidente José Araújo Ferreira sugere que a entidade organize o
calendário de eventos com espaço mínimo de 15 dias entre eles, e que seja
obedecida a ordem de datas solicitadas pelas promotoras.
Já os presidentes Silvio Júlio
Junqueira Pereira e Magdi Shaat, que apresentaram propostas idênticas,
sugeriram a nomeação de um representante da ABCCMM com capacidade para
coordenar o calendário de exposições e negociar com as promotoras ajustes
necessários para se evitar a superposição de eventos. O final de dezembro,
segundo eles, seria o prazo máximo para que promotoras comunicassem à ABCCMM a
data de suas exposições para o ano seguinte. Qualquer alteração na programação
oficialmente comunicada deverá ser submetida ao coordenador, que avaliará a
possibilidade ou não do evento ser realizado.
Questão
dos árbitros
Se as sugestões para o ordenamento do calendário de
exposições não apresentaram, de um modo geral, novidades para resolver de vez
este problema, a questão dos árbitros foi o tema mais palpitante, refletindo o
clima da reunião de julho. Todos os presidentes discorreram sobre o assunto e
enviaram propostas. Algumas delas: os árbitros deveriam ser registrados e
empregados da ABCCMM, com seus direitos trabalhistas assegurados, o que os
obrigaria a cumprir as determinações impostas pela entidade, facilitaria o
sistema de rodízio e evitaria problemas futuros, no entender do presidente
Marcellino Tostes Picanço.
Marcellino sugere ainda a criação de um livro de
ocorrências sob a responsabilidade do núcleo ou da promotora, que ficaria disponibilizado
em todos os eventos da raça, onde seriam anotadas as reclamações dos
expositores e árbitros para posterior verificação pela Associação. Árbitros que
possuírem vínculos com criatórios ou centros de treinamento deveriam ser
impedidos, e penalizados, de julgarem animais oriundos desses criatórios e
centros, impedimento que se estenderia aos cônjuges, ascendentes e descendentes
dos árbitros.
O Núcleo do Centro Leste Mineiro propõe a extinção
da taxa de deslocamento de árbitros, uma vez que eles já recebem seus
honorários, horas extras, quando necessário, hospedagem, alimentação e
reembolso de quilometragem. O presidente José Araújo Ferreira observa que a
ABCCMM deveria alertar aos árbitros para os descontos devidos de INSS e IR,
conforme determina a Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003,
publicada no DOU de 30/03/2004 e Regulamento do Imposto de Renda. O Núcleo
propõe que os árbitros passem a emitir Nota Fiscal para que as promotoras de
eventos recolham aos cofres públicos os valores devidos conforme normas em
vigor.
Os presidentes Silvio Júlio Junqueira Pereira e
Magdi Shaat propõem que o promotor do evento indique uma lista de até três
árbitros para morfologia e outros três para andamento, cabendo à ABCCMM indicar
aqueles que atuarão dentro daquela relação. A proibição de repetição de
árbitros no mesmo evento no ano subseqüente deve ser observada e os árbitros
devem ser preparados para julgar marcha e morfologia.
Outra proposta apresentada pelos presidentes do
Clube do Cavalo de Cruzília e Núcleo do Sul de Minas sugere a implementação,
pela ABCCMM, de formas de representação e instauração de procedimento
administrativo disciplinar dos árbitros, facilitando o acesso do expositor a
tal instrumento. Eles sugerem ainda a divulgação das regras e resultados do
mesmo, que deverão ser bem fundamentados.
Custeio das exposições
Entre as sugestões para o
problema do custeio das exposições, o presidente da Associação do Espírito
Santo, Epiphânio Zamprogno Neto, propõe que a ABCCMM arque com a metade do
custeio dos árbitros a título de fomento da raça, medida também sugerida pelo
presidente Luiz Armando de Oliveira Jr., que acrescentou em seu questionário o
item transporte, que onera os eventos.
O presidente do Núcleo
Centro Oeste Mineiro sugere ainda que a ABCCMM, diante do grande número de
exposições que são realizadas, negocie em âmbito nacional menor preço para os
kits das mostras (troféu, faixa, boné, camisa e aluguel de baias), colocando
este serviço à disposição dos núcleos interessados, o que reduziria os preços
destes produtos. Esta sugestão também foi feita pelos Clube do Cavalo de
Cruzília e Núcleo do Sul de Minas.
Luiz Armando sugere que a
Associação escale um árbitro para julgar marcha e morfologia em exposições com
até 120 animais e Marcellino Picanço propõe que a ABCCMM busque patrocínios em
empresas de grande porte, que possam viabilizar as exposições regionais e
ajudar os núcleos a arcar com as suas despesas, medida também compartilhada
pelo Núcleo do Centro Leste Mineiro.
Apoios financeiro e técnico aos núcleos
Marcellino Picanço levantou um problema, já
discutido na reunião de julho, sobre o atendimento técnico feito aos
criatórios, que deveria ser obrigatoriamente comunicado aos núcleos, em prazo
de, no mínimo, 15 dias de antecedência, visando reduzir o elevado custo que
este item hoje acarreta aos criadores. A maior reclamação é que muitas vezes um
técnico visita mais de uma propriedade na mesma região e cobra de ambos os
clientes o valor da quilometragem, quando ela deveria ser rateada, deixando de
visitar, por outro lado, propriedades próximas que também necessitam dos seus
serviços.
O presidente José Araújo Ferreira propõe que a
ABCCMM aumente os percentuais sobre as anuidades e emolumentos destinados às
entidades e patrocine cursos para a melhoria de mão-de-obra especializada nas
regiões e as despesas com os árbitros. Ele sugere ainda que a Associação busque
patrocínios para a divulgação das exposições nas rádios e tvs regionais e ajude
os núcleos e associações, através de convênios, com verbas para o custeio de
despesas administrativas das entidades.
Luiz Armando de Oliveira Júnior também sugere a
revisão do valor do repasse feito pela Associação aos núcleos e estudo da
redução das taxas hoje cobradas. Propõe que a ABCCMM faça marketing da raça em
nível nacional e fomente cursos com técnicos e árbitros para suporte dos
associados, especialmente os novos criadores.
Epiphânio Zamprogno Neto propôs que a ABCCMM crie
procedimentos obrigatórios por intermédio das associações e núcleos, mas não
detalhou sobre quais itens. Sugeriu maior racionalização do controle da agenda
de visitas do técnico regional e que a ABCCMM custeie, sob a coordenação dos
núcleos, cursos de Podologia, Doma e Cabresteamento.
Os Clube do Cavalo de Cruzília e Núcleo do Sul de
Minas propuseram as seguintes medidas: valor de 30% dos emolumentos e taxas
cobradas anualmente aos núcleos, que deverá ser distribuído entre os
mesmos, proporcionalmente ao número de
seus associados, estabelecendo-se um calendário anual para os repasses;
desconto concedido pela ABCCMM entre 20 e 40% na anuidade para sócios
adimplentes dos núcleos e associações regionais; designação de outros 20% dos
emolumentos e taxas cobrados anualmente para dar suporte aos núcleos com menor
número de criadores e ao marketing da raça em nível nacional; o não
reconhecimento pela Associação de novos núcleos e associações a não ser nas
regiões e estados onde não haja nenhuma entidade do Mangalarga Marchador.
Os presidentes Silvio Júlio e Magdi Shaat sugeriram
ainda a criação na Associação de um sistema regionalizado de atendimento aos
criadores; suporte de estrutura mínima aos núcleos e associações para a
operacionalização de documentos e pendências dos criadores regionais na
Associação e o oferecimento aos núcleos de dias de campo de técnicos e
árbitros. Aderbal Jurema Júnior, presidente da Associação de Brasília, propôs
também a intensificação de cursos técnicos fora do calendário de eventos.
Todos os questionários foram encaminhados ao diretor
de Promoções e Marketing, Dennis Braz Gonçalves, para análise e discussão com o
restante da Diretoria, que tomará as medidas necessárias.